DesaBAFO!

5 de Julho de 2021

DesaBAFO!

Tenho notado um fenômeno recente na área da educação: professores estão vendendo promessas de resultado aos seus alunos. E isso não é um devaneio de uns e de outros, é uma demanda. Por alguma razão, o público interessado está buscando garantias de notas altas e atribuindo aos professores a total responsabilidade pela obtenção delas.

É uma deturpação da ordem natural das coisas! Não me lembro de, na minha época de vestibular, cobrar diretamente dos meus professores pelo meu desempenho. Deles eu queria Informação segura e boa pedagogia, o resultado era meu! Até hoje assumo meus resultados… Imaginem se, quando Diego Hipólito caiu na prova de ginástica, ele tivesse apontado para o treinador e dito “a culpa é sua”. O trabalho de quem orienta se mede em conhecimento, dedicação e sensibilidade, não em garantias de resultado.

Tenho a tese de que esse movimento é um subproduto do ENEM. No tempo das provas isoladas, com discursivas e redações distintas, ninguém podia prometer um preparo tão amplo. O modelo objetivo do ENEM (sem discursiva) e com uma redação roteirizada (quase objetiva também) deu margem a essa onda de promessas negociadas (vale lembrar que a Finlândia melhorou seus índices de educação acabando com as questões de múltipla escolha!). Mas o problema vai muito além, é resultante de uma mercantilização do conhecimento, de uma industrialização da educação.

Há pouco mais de um mês um ex-aluno do Palavra nos procurou querendo voltar, depois de alguns anos, a estudar para o ENEM. Depois da primeira aula, ele me confessou: “Antes de falar com você, eu procurei outros cursos e estranhei, porque todos me prometeram notas acima de tanto. Eu achei estranho aquilo”. É mesmo! E digo agora sem medo das palavras: é mais que estranho, é desonesto! Ironizei a frase, na conversa com ele, dizendo “e eles devolvem seu dinheiro se você não tirar?” É contrato ou não é??

Eu prometo muita dedicação aos meus alunos, a tempo e a hora. Eu prometo compartilhar todo o meu conhecimento, de anos de estudo, na medida do possível (ou do acessível a cada um deles). Eu prometo estar sempre atento ao bem-estar deles, mantendo-os motivados, esforçando-me para que a nossa comunicação esteja sempre ativa. Prometo promover bons debates, destacar o que há de melhor naquilo que eles trazem para a aula e apontar as contradições para que as repensem. Prometo bons exemplos de uma escrita requintada e articulada. Prometo correções meticulosas e construtivas.

Mas… na boa… milagres eu não faço não!


Marcelo Brandão Mattos

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