Gente

4 de setembro

Precisamos falar de empatia para além do tanto já temos falado. A empatia em relação às causas sociais é uma luta inglória, tão endurecida em tempos de intolerância. Devemos falar sobre ela, brigar por ela, mas precisamos ir além.

A empatia é uma atenção respeitosa ao outro como diferente, quer seja porque assim aprendeu a ser, quer seja assim o seu desejo. Ele é diferente de tudo o que eu sou, daquilo que eu seria se estivesse em seu lugar, e ainda assim merece o meu respeito. Se dessa forma entendemos a causa, devemos então reduzir nosso diapasão, interromper a prova olímpica que idealizamos, parar as máquinas do nosso julgamento, para melhor conviver.

Aquele que a gente acha que é muito duro, pode ter sido criado entre as pedras. Aquele que é seco, pode ter sobrevivido ao deserto. Tem gente que é de noite, tem gente que é de dia. Tem gente-sol e gente-chuva. Gente que é de festa, gente que é de casa. Gente que é de trabalho, gente que é de preguiça. Gente que é doce, gente que é sal. Gente que é de mar e gente que é de bar. Gente que é leão e gente que é golfinho.

E tem também a influência da lua. Um amigo que te diz não hoje, pode só estar num dia sem sim. Alguém que está distante por uns tempos, pode apenas estar em fase minguante (ou estado de eclipse). Há dias brilhantes e dias na sombra. Há momentos de se abrir e outros de se fechar. E como somos muitos astros em órbita, é pouco provável que estejamos sempre coincidentes em nossa rotação e translação.

Precisamos falar de empatia para sermos observadores mais justos e, assim, termos mais tranquilidade para sermos quem somos, dia após dia.


Marcelo Brandão Mattos

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