O Brasil precisa (re)encontrar AmarElo

16 de janeiro

AmarElo não é um filme. Não é um álbum. Não é um making of. Não é um especial para TV. AmarElo é um manifesto. Uma ocupação. Uma aula. Um ato de reparação. Uma convenção partidária. Uma baliza pra definir quem entra e quem sai. Estou preso em AmarElo e não posso sair até parar de chorar.

E que tranquem as portas, porque eu não quero ir. Em AmarElo é que o Brasil é mais lindo, é onde quero permanecer para celebrar com os meus. Somos essa gente suja, misturada, que faz batuque na lata e canta até o dia nascer. Somos esse aglomerado que ri demais e fala alto, essa bagunça que só para quando acaba a cerveja. Somos o samba, a nossa síntese, nosso espaço de encontro, nossa quadra na entrada da favela, nosso ritmo que é pulsação. O samba nos explica, porque ele não é só música, ele é um modo de ser, uma conduta, um jeito de estar no mundo.

Mas a festa acaba, nos empurram para fora. Há vida além de AmarElo, há gente ao redor de AmarElo, uma gente que não gosta da gente. Lá fora, não há espaço pra misturas, ali é branco e não preto (ou qualquer outra cor), e a brancura é uma assepsia que sempre me assustou. Ali as regras são duras, a violência é linguagem. Reprime-se a diferença, sem espaço para entendimentos ou intersecções.

O Brasil precisa (re)encontrar AmarElo. Fazer da quizomba a nossa constituição (como diz o poeta). Erguer o estandarte da brasilidade perdida. Angela Davis tem razão, não vamos nos encontrar nos Estados Unidos, mesmo que nas melhores referências. Somos Lélia Gonzales, Milton Santos, Ruth de Souza, Noel Rosa, Machado, Clarice, Chico, Caetano, Gil, Emicida...

Estou em AmarElo e ainda choro, mas não de fraqueza. É emoção de encontrar meu lugar de pertença: ainda existe um país chamado Brasil! Choro, mas é de orgulho. Choro a minha força (que é nossa)! E os de fora que me aguardem... Ano passado eu morri, mas este ano eu não morro!



Marcelo Brandão Mattos

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