Rejane
Luci

Escritora da obra Uma Conversa com as Palavras

Rejane Luci (13/09/1966) é professora e escritora. É Mestre em Letras (PROFLETRAS/UNEB) e na área literária já recebeu Menção Literária do 2o. Prêmio
Literário AFEIGRAF e no Concurso Literário
“Aspirações” ambos em 2020, bem como foi agraciada com o Prêmio do Livro
Double/2021.

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Rejane
Luci

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Rejane
Luci

O livro Uma conversa com as palavras apresenta textos do gênero poema que manifestam reflexões sobre os tempos difíceis que estamos vivendo: dias de incerteza, de pouca tranquilidade, de fake news, de muita violência; uma época bem difícil para desfrutar da convivência com o semelhante. O objetivo deste trabalho é usar este gênero textual para emocionar, ao mesmo tempo que pretende provocar reflexões, pois sua temática é relevante e diversificada, aborda assuntos atuais, como: a busca por si mesmo, a violência contra a mulher, meio ambiente, desigualdade social, entre outros.

UMA QUESTÃO DE TEMPO 

 

O tempo é assim: 

anuncia temores, sinaliza rumores

revela valores e alivia dores. 

 

Ele nos permite aprender com a dificuldade

aproveitar as oportunidades 

e para os bons tempos, ativar o modo saudade. 

 

Porque tudo é uma questão de tempo: 

ele leva o que a nós não pertencer 

e o que é nosso, deixa a gente colher.

REFLEXO 

 

Somos reflexo de quê? 

Do mundo onde vivemos cheio de possibilidades? 

Ou daquele que sobrevive-se repleto de atrocidades? 

 

Da família que nascemos que nos ensina a bondade? 

Ou da família que reproduz a medíocre sociedade?

 

Das pessoas que cultivamos a lealdade? 

Ou das pessoas que convivemos com falsidade?

 

Somos reflexo de quê? 

Da religião que professamos com sinceridade? 

Ou da religião que propaga a desigualdade? 

 

Do que aprendemos na escola com uma finalidade?

Ou do que a escola faltou “ensinar” com propriedade?

 

Do que refletimos nas leituras com espontaneidade?

Ou do que é decorado por uma obrigatoriedade?

 

Somos reflexo de quê? 

Da teoria filosófica que apreende-se pra posteridade?

Ou daquela que empregamos segundo a necessidade? 

 

Da solidão, quando avaliamos o que é prioridade? 

Ou da solidão, ao se perceber as pessoas de verdade?

 

Do que o espelho não reflete da nossa essência? 

Ou do que o espelho reflete da nossa aparência? 

 

Pois é, somos reflexo de quê?

A RIGOR 

 

Para subsistir no mundo precisa-se de galhardia 

É tanto biltre, tanto patarata, tanto ladino

Com atitudes e pensamentos nefastos e sem valia 

Que crer no ser humano parece desatino. 

 

Uns se consideram astuto e finório 

Agem como um parlapatão 

E, a fim de intrujar, usam subterfúgio 

Sendo um verdadeiro aldrabão. 

 

Lançam mão de sortilégio 

Sendo um baita sotrancão 

Nem se preocupam com presságio 

O que é uma abominação. 

 

Outros são janotas, sem galanteio 

Usam da rudeza e da arrebatação 

Com desígnio e objetivo sombrio 

Subjugam os incautos, sem ponderação. 

 

Querem nos urdir, com todo malefício 

Pela aldabrice ou pela enganação 

Querem nos confeiçoar, com todo artifício 

Pelos putrefatos, pelo alarde ou pelo patacão.

 

Por isso, para nosso regozijo, sem sacrifício 

É amizade sincera, é inextinguível gratidão 

É fé pujante, o que é bem propício 

E amor à exaustão.